‘Angústia’, relata irmão de brasileiro de Goioerê que desapareceu há 5 meses ao tentar entrar nos EUA

Postado em: 07-04-2017

“A angústia, o sofrimento, só vêm aumentando”, diz Robson Pereira, irmão de Sérgio Castelhani e cunhado de Rosinéia Vaz Pereira, que estão entre os 12 brasileiros que desapareceram ao tentar entrar ilegalmente nos Estados Unidos pelo mar das Bahamas. O último contato do casal com a família foi feito há cinco meses, em 6 de novembro de 2016, mesma data em que os familiares dos outros desaparecidos acionaram o Itamaraty.

“Estamos indo”, dizia a última mensagem de Rosinéia enviada pelo telefone celular, segundo Robson. Desde então, eles não receberam mais notícias.

O casal morava em Goioerê, no noroeste do Paraná. Robson contou que o irmão trabalhava como caminhoneiro e que Rosinéia trabalhava em uma loja da cidade. Eles pagaram R$ 30 mil pela viagem, segundo os familiares.

Em entrevista ao G1, nesta quinta-feira (6), Robson contou que a família não tem nenhuma novidade. “A coisa está parada, do mesmo jeito”, lamentou.

Entre as iniciativas após o desaparecimento dos brasileiros, está a criação de uma comissão para acompanhar as investigações na Câmara dos Deputados, em Brasília (DF).

“Já foi chamado o Itamaraty, a Polícia Federal (PF) [para falarem à comissão], mas essas duas entidades só foram lá para falar mentiras”, relatou Robson, sem detalhar o que os representantes dos órgãos falaram.

“Eu tenho contato com os demais familiares do grupo, todos sofrendo bastante. E a incompetência da PF e do Itamaraty ainda continua. É um absurdo”, critica o irmão de Sérgio.

Em nota, o Itamaraty informou que o Ministério das Relações Exteriores acompanha o caso desde novembro de 2016. No entanto, até o momento, não há informação sobre o paradeiro dos brasileiros.

“Atualmente, trabalha-se com o dado de 12 brasileiros cujo paradeiro é desconhecido por suas famílias desde 6 de novembro de 2016”, informou o Itamaraty. Relatos anteriores indicavam que 19 pessoas estavam desaparecidas.

Além disso, a nota afirma que a Divisão de Assistência Consular está com contato com os familiares do grupo desaparecido.

“Informações fornecidas pelo grupo à Divisão de Assistência Consular têm sido retransmitidas à Polícia Federal e às representações brasileiras em Miami, Nassau e Washington, de modo a buscar auxiliar nas investigações em curso”, diz a nota. Veja a nota completa no fim da reportagem.

A Polícia Federal não vai se manifestar.